NOTÍCIAS

Reduzir estômago aumenta risco de fratura e de cálculo

30 de novembro de 2009

Pessoas que fazem cirurgia de redução de estômago possuem quase duas vezes mais risco de ter pedra nos rins e de sofrer fraturas relacionadas à deficiência de cálcio e de vitamina D no organismo, revelam novos estudos nas áreas de endocrinologia e de urologia.

Fernanda Bassette e Cláudia Collucci da Folha de S.Paulo – 07/07/2009 

Pessoas que fazem cirurgia de redução de estômago possuem quase duas vezes mais risco de ter pedra nos rins e de sofrer fraturas relacionadas à deficiência de cálcio e de vitamina D no organismo, revelam novos estudos nas áreas de endocrinologia e de urologia.

Um dos trabalhos, com 9.278 pessoas, foi publicado no “Journal of Urology”. Durante cinco anos, pesquisadores da Johns Hopkins University avaliaram 4.639 pacientes que fizeram a cirurgia e compararam com número idêntico de obesos que não se submeteram à redução de estômago. 
Eles observaram que 7,65% daqueles que fizeram a cirurgia foram diagnosticados com pedra nos rins, enquanto apenas 4,63% das pessoas do grupo controle tiveram o problema. 
Segundo o urologista José Carlos de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, o aparecimento de cálculos renais foi discutido no último congresso americano de urologia, pois a cirurgia bariátrica passou a apresentar problemas que antes não eram conhecidos pelos especialistas. 
“Esse estudo trouxe à tona uma informação que não existia de forma clara. Percebíamos que havia um aumento no número de casos, mas não tínhamos como afirmar que existia essa relação”, diz. 
De acordo com Almeida, a formação das pedras acontece porque a cirurgia de redução do estômago altera o metabolismo e aumenta o nível de oxalato no organismo. O oxalato é um elemento importante na formação dos cálculos renais -cerca de 90% das pedras são formadas por ele.

Além disso, Almeida diz que as cirurgias bariátricas também diminuem a absorção de magnésio e de citrato -duas substâncias que ajudam no processo de diluição do oxalato. “Todas as pessoas têm cristais de cálcio na urina. Se elas não tiverem magnésio e citrato em quantidade suficiente, elas poderão formar cálculos”, avalia. 
Thomaz Szegö, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, diz que a possibilidade de formação de cálculos é um dos principais incentivos para que os pacientes se mantenham hidratados. “Durante a perda intensa de peso, o metabolismo se altera. Se o paciente consegue manter o fluxo renal adequado [bebendo bastante água], é possível prevenir o aparecimento das pedras.”

Fraturas

Os pacientes que se submetem a cirurgias bariátricas também têm quase duas vezes mais risco de sofrer fraturas, especialmente de pés e de mãos. Os resultados, ainda preliminares, vêm de um novo estudo apresentado no congresso da Sociedade Americana de Endocrinologia, no mês passado.
Os pesquisadores selecionaram 142 pessoas que fizeram cirurgia bariátrica de 1985 a 2004 nos EUA. Foram avaliados o tipo de cirurgia, estilo de vida e condições nutricionais. Depois, foram analisados as datas e locais da fratura e os mecanismos que a provocaram.

“Nós já sabíamos que há uma dramática e extensa perda óssea após a cirurgia bariátrica, mas não sabíamos o que isso significava em termos de fratura”, afirmou Jackie Clowes, uma das autoras do estudo. 
As pessoas foram acompanhadas durante seis anos. Nesse período, 36 sofreram 53 fraturas, a maioria delas nos braços e nos pés. Também foram relatadas fraturas no quadril, na espinha dorsal e no úmero. “O aumento da incidência de fraturas não é um fenômeno que ocorre logo após a cirurgia, mas sim anos depois.”

O estudo não aponta, porém, quais os mecanismos envolvidos na maior incidência de fraturas. De acordo com Marise Lazaretti Castro, presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a hipótese que poderia explicar as fraturas a longo prazo é o fato de haver, após a cirurgia bariátrica, deficiências graves de vitamina D e cálcio. “As pessoas começam a ter diarreias, têm menos absorção dos nutrientes”, afirma a médica. 
Castro diz que existem opções para contornar o problema. “O paciente tem que fazer a reposição desses nutrientes [que são menos absorvidos]. E não pode jamais abandonar o tratamento”, alerta a médica.

Editoria de Arte/Folha Imagem

Consequências tardias da cirurgia bariátrica

  • SIGA O ACHÉ:

X
  • Alert
  • ATUALIZAÇÃO DA POLÍTICA DE PRIVACIDADE

O Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A se preocupa com a sua privacidade e quer que você esteja familiarizado com a forma como coletamos, utilizamos e divulgamos suas informações.

COLETA DE INFORMAÇÕES:

Alguns dados pessoais podem ser solicitados para que você se beneficie de nossos serviços ou programas. Sempre que obrigatório por Lei, seu consentimento será solicitado. Você também poderá exercer seus direitos em relação a seus dados por meio do nosso Canal de Comunicação.

SEGURANÇA:

Empregamos os melhores esforços para respeitar e proteger seus dados pessoais contra perda, roubo, vazamento ou qualquer modalidade de uso indevido, bem como contra acesso não autorizado, divulgação, alteração e destruição.

CANAL DE COMUNICAÇÃO:

Para assuntos exclusivamente relacionados à privacidade de dados, clique aqui.

Para outros assuntos, clique aqui.

Política de privacidade, clique aqui.