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1 de dezembro de 2009

Antonio não sabe se é por medo, vergonha ou preconceito, mas só vai ao médico sob protestos.

Folha de S.Paulo 17/09/2009 – Julliane Silveira / Mariana Versolato Colaboração para a Folha.

As estatísticas refletem o comportamento masculino diante dos especialistas: eles se cuidam menos do que as mulheres. Em 2007, por exemplo, foram feitas no Brasil 17 milhões de consultas ao ginecologista, contra 2,5 milhões de consultas ao urologista, segundo José Carlos Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.
Na opinião de Almeida, o homem geralmente se afasta do médico por medo de receber um diagnóstico negativo e não saber como lidar com a doença. Também contribui o medo dos exames -principalmente do toque retal, que ajuda a detectar o câncer de próstata. Além disso, diz Almeida, a ausência dos homens nos consultórios está ligada a questões culturais, “a uma atitude machista de que eles não sentem dor”.

O analista de sistemas Antonio da Silva Júnior, 32, é um exemplo dessa resistência. Mesmo com um histórico familiar de doenças cardíacas, câncer e problemas na próstata, evita ir ao médico. “Parece-me que quem vai ao médico é doente moribundo”, alega. Se não sente dor, não vê motivos para marcar uma consulta. “O homem é ensinado a fingir que pode aguentar qualquer problema, ao contrário das mulheres, que recebem orientações para se cuidar e ir ao ginecologista desde cedo”, afirma.

No entanto, a ausência masculina nos consultórios não significa que eles são menos suscetíveis a doenças do que as mulheres. Dados do Ministério da Saúde mostram que, a cada três mortes de pessoas adultas no Brasil, duas são de homens. Apesar de esse índice computar todas as causas de morte, oito das dez primeiras estão relacionadas à saúde. Eles vivem, em média, sete anos menos do que elas e têm mais doenças do coração, câncer, diabetes, colesterol alto e hipertensão. Os homens também fumam mais, sofrem mais de estresse e têm hábitos menos saudáveis que elas.

Um estudo feito pela empresa SulAmérica com 26 mil homens de 12 Estados brasileiros constatou que 60% deles têm sobrepeso e 20% sofrem pressão arterial elevada – só 8% sabem que têm a hipertensão. Esses problemas estão relacionados a doenças cardiovasculares, como derrame cerebral e infarto do miocardio, as que mais matam homens no país.

Benito Lourenço, hebiatra da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), diz que o distanciamento do homem em relação ao médico começa na vida adulta. Para ele, isso acontece porque na infância e na adolescência os cuidados médicos estão sob responsabilidade dos pais.
Por volta dos 20 anos, fica a cargo do homem ir ao médico por conta própria, mas eles costumam não ter queixas de saúde. O problema é que, exatamente nessa faixa etária, o foco deveria estar na prevenção, de olho no futuro. “Entretanto, os jovens adultos se mantêm afastados do médico por se sentirem em pleno vigor, como se nada de errado pudesse lhes acontecer”, diz Lourenço.

Urologia

De tanto ouvir as broncas de sua mulher, Blanca, 65, é que o corretor de imóveis Hector Cáceres, 68, resolveu ir ao urologista, depois de passar dois anos bem longe dos consultórios. “Ela não me deixa em paz”, diz ele, brincando.

Ainda bem que ela insistiu: foi assim que ele descobriu que tinha câncer de próstata. O diagnóstico, felizmente, foi feito no estágio inicial da doença -nesses casos, a chance de cura chega a 80%, de acordo com Carlos Dzik, oncologista do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

O câncer de próstata é o sexto tipo de tumor mais comum no mundo e o mais prevalente em homens. Acomete principalmente aqueles com mais de 65 anos -que correspondem a três quartos dos casos no mundo, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Por isso, é recomendado o exame anual de toque retal e de dosagem do PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês) a partir dos 45 anos.

A influência das mulheres para convencer o homem a buscar tratamento também conta quando o problema está relacionado à vida sexual. Um levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo divulgado na semana passada mostrou que 30% dos que buscam o Ambulatório de Sexualidade da instituição o fazem a pedido da companheira.

A disfunção erétil, que atinge principalmente homens com mais de 60 anos, representa 55% dos atendimentos. A maioria dos casos têm tratamento, o que pode representar uma melhora considerável na qualidade de vida dos pacientes -mas é preciso buscar ajuda.

Exceção

Nem todos fogem do médico -por histórico familiar de doenças, pela preocupação com a saúde ou para dar um bom exemplo em casa.

O bancário Erbert Vieira, 41, faz todos os seus exames anualmente. Ele se preocupa, já que mãe e o irmão têm diabetes e o pai morreu há duas semanas, de infarto. E faz questão de ensinar ao seu filho Kauê, 6, a importância dos cuidados com a saúde em todas as fases da vida.

Kauê nasceu com hipospádia -uma abertura anormal do orifício por onde sai a urina. Atentos, Erbert e sua mulher, Sônia, repararam que o prepúcio (pele que cobre a glande) não permitia que o filho urinasse normalmente.

Os dois levaram Kauê a um urologista para que fosse feita uma cirurgia de correção. Foram quatro tentativas frustradas, pois a sonda escapava no período de recuperação. Na época, Sônia conversou com Kauê e explicou que, como a cirurgia era muito delicada, eles desistiriam por um tempo e tentariam novamente apenas quando ele fosse mais velho.

No entanto, foi o próprio Kauê quem pediu para tentar de novo, depois de questionar por que não fazia xixi igual ao pai. Na quinta vez, deu certo.

Sintomas

Dos pacientes atendidos no Hospital das Clínicas por Yolanda Maria Garcia, professora de geriatria da Faculdade de Medicina da USP, apenas 30% são do sexo masculino. Para ela, ainda existe o mito do homem forte e a ida ao médico seria vista como um sinal de fraqueza.

O aposentado Armando Danielli, 70, é um dos que evitam o consultório. “Se dá uma dor, espero passar. Em último caso, corro para o médico com a pulga atrás da orelha.” E a última vez em que “correu” foi para retirar uma pedra no rim, depois de sentir fortes dores. “Aí não teve jeito.”

Antes disso, não lembra quando consultou um médico -muito menos de tê-lo procurado espontaneamente, para prevenção. Em um esforço para tentar recordar quantas vezes já fez o exame para câncer de próstata, afirma, quase envergonhado: “Só uma vez na vida”.

Mas a dor ou qualquer outro sinal anormal do organismo indica que algo não vai bem. Por isso, exames periódicos podem ajudar a averiguar como anda a saúde e prevenir complicações. Veja ao lado quais são os principais exames que o homem deve fazer em diferentes fases da vida. A necessidade de diagnósticos para condições específicas de saúde e de histórico familiar para outras doenças deve ser avaliada diretamente com um especialista.

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